Continuámos a nossa Tour de Verão ao marcarmos presença, no passado fim de semana, no festival A Summer Story, em Arganda del Rey, Madrid. Da terra de nuestros hermanos, trouxemos grandes recordações e momentos festivos únicos, naquele que é sem dúvida um dos melhores, senão o melhor, evento ibérico desta tipologia.

Foi sem dúvida um festival muito bem organizado. O espaço é ideal para a realização de um evento com tais características, não estivéssemos a falar da Ciudad del Rock, espaço concebido pela autarquia madrilena especialmente para tais efeitos.

A ação passou-se em três palcos distintos, nomeadamente o principal, o secundário, e um terceiro – patrocinado pela Budweiser – de cariz mais underground. Contudo, não se engane o leitor relativamente ao grau de underground dos palcos, uma vez que no primeiro dos dois dias de festival, por exemplo, o techno esteve no palco principal enquanto que o house mais comercial se ficou pelo Burn Village, um dos palcos secundários. Tal acontecimento é bastante louvável, uma vez que foi dada ênfase a uma maior abrangência de sub-vertentes da dance music.

Paco Osuna live @ Inside City (Main Stage) on day 1. (Bruno Coelho/Wide Future)

Como referido acima, o festival realizou-se em dois dias. No primeiro, e no que diz respeito ao palco principal, destaque para as fantásticas atuações de grandes nomes da indústria, como Loco Dice, Paco Osuna, Martinez Brothers, Amelie Lens e Vitalic, bem como para os sets de artistas de menor mediatismo como é o caso do português Gonçalo. Uma grande noite foi encerrada por um B2B muito especial entre Joris Voorn e Kölsch, que fez com que só se arredasse pé às 8 da manhã locais. Já no Burn Village Stage, palco de menores dimensões que o primeiro, fez-se a festa com recurso a variantes mais comerciais do panorama da música eletrónica. Destaque para as atuações de CID, Michael Calfan e Kryder, ao começar as hostilidades, pelo set dos Vini Vici (na foto) (representados, como habitual, por apenas um dos seus membros, neste caso Matan Kadosh), e pelo encerramento que ficou a cargo de um dos artistas em ascenção do panorama do progressive house, Corey James. No palco Budweiser, sem dúvida o mais alternativo, nota para a presença de Ale Mora, e também dos espanhóis Les Castizos, cheios de groove!

No segundo dia de fiesta, vieram os nomes mais badalados para o palco principal – que já agora, era de enormes dimensões e de muito bons e eficazes LEDs – e foi o underground para o Burn Village e Budweiser Town. Na maior das “arenas”, vimos um set cheio de novidades por parte de Dimitri Vangelis & Wyman – tocaram novas faixas intituladas “King”, “Phantom” e “Shadows” -, um belíssimo concerto de Axwell Λ Ingrosso onde não faltaram os seus êxitos mais conhecidos, e uma sensacional performance do estandarte mais alto do trance, Armin Van Buuren. Nota também para Sunnery James & Ryan Marciano, Dimitri Vegas & Like Mike, CYA, e Brennan Heart, que finalizou o espetáculo com o seu hardstyle. Nos outros palcos, menções honrosas para Gouryella (Ferry Corsten), que trouxe a nostalgia ao Burn Village, e à presença de nomes incontornáveis como Stephan Bodzin e Maceo Plex que encheram o “terceiro” Budweiser Town, onde no início do segundo dia, esteve mais uma vez o português Gonçalo, desta feita em B2B com o espanhol Raul Pacheco.

Summer Story DUX

Check out that shot! Axwell Λ Ingrosso rocking the Main Stage on day 2. (Bruno Coelho/Wide Future).

 

Fora do universo dos artistas e dentro do campo da estrutura do festival, há que mencionar a eficiência e brio da mesma em aspetos como o F&B (food and beverage), que funcionou sob um bem planeado sistema de fichas/tokens, e o Memorial a Avicii, estrutura de muita classe que homenageou aquela que foi uma grande perda para todos os aficionados de música eletrónica. Outras plataformas relacionadas com os patrocinadores dos festivais, como o túnel de luz e som da Barceló Experience, e a Burn Unexpected Experience – um pequeno slide até ao interior de uma tenda com conteúdo que não vamos revelar (daí ser “unexpected”) – fizeram também as delícias dos festivaleiros.

Relativamente aos transportes e acessos, a organização também se esmerou. Para além de rotas de autocarros, o enorme espaço de estacionamento do local, dividido em zonas normais e zona VIP, é muito propício a que os fãs estejam próximos da entrada de carro. Na mesma, também de amplas dimensões, houve um bom equilíbrio entre um escasso tempo de espera e um controlo de segurança rigoroso, assegurado pela guarda civil espanhola que também efetuou um controlo de álcool à saída do recinto.

A única coisa negativa que temos a apontar é a impossibilidade dos órgãos de imprensa (ou de alguns órgãos de imprensa) poderem aceder ao palco para tirar fotografias, só tendo sido possível o acesso ao fosso aquando das atuações, algo que poderá ser mudado em edições futuras. De resto, nota muito positiva para todo o evento, e recomendamos vivamente a experiência aos nossos seguidores numa futura edição.

Até para o ano, A Summer Story. Até para o ano, Madrid!

 

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