No passado mês de outubro, entre os dias 17 e 21, estivemos em Amsterdão para mais uma edição do ADE – Amsterdam Dance Event, a maior conferência de música de dança à escala global. Tratou-se de uma experiência única, cujo único defeito foi praticamente a ausência de um super poder que nos colocasse em 5 locais ao mesmo tempo. Contudo, eis um pouco de como foi a nossa estadia na capital holandesa.

DIA 1 – 17 de Outubro

O ADE não é só acerca de festas e DJ sets. Trata-se de uma autêntica panóplia de conteúdos relacionados com a dance scene. Logo no primeiro dia, pela tarde, visitamos o AIR – um dos espaços do mega-evento, para testemunhar uma masterclass de produção musical da Spinnin’ Records, com os intervenientes Mesto, Jay Hardway e Mike Williams. Este último, explicou aos presentes o processo de criação da faixa “Lullaby”, colaboração do mesmo com R3hab, esclarecendo a plateia relativamente aos plug-ins usados e ao seu work flow no geral.

Na parte noturna, estivemos em eventos como:

O concerto da sensação britânica do momento, Sigala, na Melkweg, onde presenciamos uma grande manifestação artística com as presenças de cantores convidados que mostraram um showcase dos mais conhecidos hits do DJ e produtor britânico como “Came Here For Love” ou “Sweet Lovin’”.

A festa D.O.D & Friends, onde o DJ e produtor britânico Dan O’Donnell, conhecido como D.O.D, convidou, como o nome da festa indica, alguns dos seus amigos para um grande evento no Martin’s Social Club. Foram eles, para além do próprio anfitrião, Norii, Mangificence, Deniz Koyu, Moksi, Shapov, Sander Van Doorn, Corey James e Laidback Luke, sendo que este último foi special guest.

Estivemos também na Heavyweight Royal Rumble, sob curadoria de Carnage. Realizada no Nova, clube noturno de pequenas dimensões, a festa contou com grandes nomes de sonoridades mais pesadas, como o próprio “Papi Gordo” e Gommi. Na nossa opinião, o Nova foi demasiado pequeno para uma festa de tão alto gabarito.

Carnage na Heavyweight Royal Rumble @ NOVA (Bruno Macedo / Wide Future).

Demos ainda um saltinho à festa da Mixmash, editora do “homem da casa” Laidback Luke. Do pouco a que assistimos, fica a impressão de uma atmosfera de boa qualidade, num espaço bastante agradável (Chicago Social Club), com sets de fasquia elevada (como os de Cesqeaux e MOTi).

Cesqeaux na Mixmash Records’ Label Night @ Chicago Social Club. (Bruno Macedo / Wide Future)

DIA 2 – 18 de Outubro

Em período de luz solar, visitamos o De Brakke Grond, célebre centro cultural da cidade, para assistirmos a algumas conferências, das quais destacamos How This Track Was Made with Raiden & Dubvision, onde o DJ e produtor sul-coreano e o “fraternal” duo holandês mostraram a uma autêntica “casa cheia” como foi feita a sua colaboração – “Keep My Light On”, a Studio XL Session protagonizada pelos carismáticos Camo & Krooked, e uma music talk com o único e incomparável Nile Rodgers, guitarrista que partilhou a sua sapiência com os demais, ao contar um pouco da sua experiência relativamente à evolução da música de dança ao longo dos anos.

Na calada da noite, visitamos 3 festividades diferentes:

Voltamos a ir à mui nobre Melkweg para a Monstercat Uncaged, festa promovida pela consagrada editora canadiana. Tratou-se de um evento de alta qualidade, na medida em que a espaçosa arena acolheu muita gente para se ouvirem excelentes sons. Destaque para os sets de Gammer e Tokyo Machine, tanto a nível musical como de elementos visuais.

Gammer na Monstercat Uncaged @ Melkweg (Bruno Macedo / Wide Future).

Foi também obrigatória a visita ao De Balie, bem perto da Melkweg, uma vez que no showcase anual da Nameless Records, atuou o português Holly. Apesar da qualidade estar à altura, com presenças de NGHTMRE e Snavs, a festa estava com relativa pouca adesão, acabando por ser “vítima” da alta diversificação oferecida pelo ADE.

DJ e produtor português Holly no Nameless Records’ showcase @ De Balie (Bruno Macedo / Wide Future).

No outro lado da cidade, visitamos também a festa da Spinnin’ Deep, realizada no AIR Amsterdam. Vislumbramos uma magnífica festividade, que em muito honrou a cultura house music da indústria. Destaque para os sets de Watermät, Moguai, Zonderling, Kryder, e para uma atuação surpresa do muito aclamado Oliver Heldens. A vibe mais íntima do espaço, alinhada aos visuais do evento, também contribuiu em muito para a bela atmosfera que se vivenciou.

DIA 3 – 19 de Outubro

Na parte diurna, visitamos a Barong Family Pop-Up Store, onde para além de termos assistido a live sets de Rawtek e Moksi, também nos imiscuímos um pouco na marca Barong ao consultarmos as mais recentes novidades de merchandise da editora dos Yellow Claw. Curiosamente, no dia anterior à nossa visita, o duo holandês atuou e pagou tatuagens aos fãs que desejassem colocar na pele o logótipo dos YC. A isto é que se chama marketing vitalício!

Durante a noite, atendemos à festa TIKTAK, apresentada no RAI Amsterdam, um espaço de consideráveis dimensões. Foi deveras interessante, porque pudemos ouvir artistas de matriz sonora mais agressiva num registo diferente do habitual, como foi o caso dos Yellow Claw e de Carnage. TIKTAK é uma famosa promotora de eventos holandesa com o mote de enfatizar o ecletismo dentro da música eletrónica.

Yellow Claw na TIKTAK @ RAI Amsterdam (Bruno Macedo / Wide Future).

DIA 4 – 20 de Outubro

À semelhança do que fizemos no dia anterior, desta feita visitamos a Pop-Up Store da Revealed Recordings durante o dia, onde estivemos mais uma vez a prestar “serviço patriótico” ao estarmos no live set dos KEVU no espaço.

João Rosário, dos Kevu, na Revealed Recordings’ Pop-Up Store (Bruno Macedo / Wide Future).

Pela noite, foi tempo de um dos eventos mais esperados do ano: o Amsterdam Music Festival 2018, em plena Johan Cruijff Arena, estádio do Ajax. Num ambiente mais mainstream, presenciámos as performances de David Guetta, Dimitri Vegas & Like Mike, Axwell /\ Ingrosso, Vini Vici, W&W, entre outros, bem como a consagração de Martin Garrix como vencedor do Top100 Djs da DJ Mag, pelo terceiro ano consecutivo. Como era de esperar, foi um evento de uma enorme produção audiovisual e pirotécnica, ao nível dos festivais mais conhecidos do mundo.

Martin Garrix e seus lasers no AMF 2018 @ Johan Cruijff Arena (Bruno Macedo / Wide Future).

DIA 5 – 21 de Outubro

No último dia de ADE, continuámos a “rotina” dos dois dias transatos e visitamos outra pop-up store, nomeadamente a da Spinnin’ Records. Por obra do acaso, a hora da nossa visita não coincidiu com nenhum evento em especial, mas é de conhecimento geral que ao longo dos 5 dias de ADE, a loja teve várias componentes, como demo drops com DJs de renome da editora, sessões de meet & greet, e, claro, live sets.

Por la noche, enveredamos novamente por sonoridades mais hard, ao visitarmos a festa “Fvck Genres”, da autoria dos LNY TNZ. Foi um evento que superou as expectativas, pois foi pesadíssimo e com um lineup de bom nível: LNY TNZ, Warface, Ruthless, Mike Cervello, e muitos mais encheram o pequeno Club NYX numa noite memorável que assinalou o final do ADE. Foi uma festa focada na sonoridade propriamente dita, na medida em que a produção audiovisual foi escassa. Mas os fãs não se importaram.

As bem visíveis bass faces dos LNY TNZ e de Warface e Ruthless @ Club NYX (Bruno Macedo / Wide Future).

Balanço final

Feitas “as contas”, o ADE foi uma experiência incrível, que recomendamos altamente tanto ao mais comum dos fãs de música eletrónica, como ao mais afincado produtor musical.

Existe a ideia errada de que o ADE é só acerca de festas e de sair à noite, mas não se trata apenas disso. Principalmente para aqueles que fazem ou querem fazer carreira na “indústria”, sejam eles DJs, produtores, fotógrafos ou jornalistas, o ADE é o sítio onde todos devem estar, porque lá podem trocar ideias e conhecimentos com profissionais experientes, e podem também, com relativa facilidade, confraternizar com artistas pelos quais nutrem admiração.

Posto isto, há que realçar que o ADE não se designa como “festival”, mas como “experiência”. A experiência é o que conta ao frequentá-lo. A cidade é belíssima, a atmosfera também, e claro, a música e as conferências são para todos os gostos. Até para o ano, Amsterdão!

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Music and writing afficionado.

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