Quinta feira, 24 de Agosto, e se estás a viajar de Coimbra para a Figueira da Foz passando por Montemor não deixarás de reparar nas luzes que pairam no céu, vindas do mítico Castelo de Montemor-O-Velho. Uma localização épica que antecede a fundação de Portugal em si e que foi também utilizada para raves de techno nos anos 90, embora hoje em dia seja diferente, mas não muito. O Festival Forte dá o pontapé de saída para a sua quarta edição, seguindo três anos de grande sucesso e ótimas críticas. Houve quem dissesse que esta edição acabou por perder um pouco o brilho em termos de cabeças de cartaz apesar de que, para os presentes, esta abordagem da organização a um lado ainda mais negro, mais experimental do techno definitivamente valeu a pena graças ao ambiente que apenas quem lá esteve conseguiu viver.

À medida que o primeiro dia se desenrolou com Lydia Lunch, Mia Zabelka e Zahra Mani a abrirem os portões do castelo com Medusa’s Bed, seguindo-se Blawan, Byetone, Clark, Kandging Ray, Nathan Fake, Apart que considerámos ter feito a melhor exibição neste primeiro dia juntamente com Varg que atuou enquanto nascia a manhã de sexta feira numa vila com ruas desertas, onde uma batida seca soava de fundo à medida que elas se voltavam a encher com os muitos ravers que saíam do castelo com rumo ao Camping is Love onde a festa já tinha começado às 9h da manhã, ou onde alguns iam conhecer a desapontante realidade de que não existiram transportes a cargo do festival no primeiro dia.

Uma vez que a festa continuou no campismo, a quantidade de estrangeiros a permanecer fora da vila era evidente nas estações de comboio e autocarros de Coimbra quando as últimas conexões com Montemor surgiram e a parte mais difícil foi definitivamente não se aperceber que haviam menos portugueses que estrangeiros no Forte. Na sexta feira até o pôr-do-sol conseguiu prever que algo lendário estava prestes a acontecer dentro do castelo, o dia mais antecipado pela maior parte dos festivaleiros onde Manu aqueceu a pista para Lucy e Peder Mannerfelt a meterem ainda mais quente, o que estava para vir era algo de sonhos ou de fraca memória do passado para alguns. Quando Oscar Mulero subiu ao palco foi quando os espanhóis presentes no Forte se fizeram ouvir ainda mais, depois disso, o incomparável Jeff Mills teve de “tocar os sinos” [The Bells] e levar toda a gente à loucura, enquanto o sol nascia DVS1 teve uma tarefa árdua aos ombros para manter o ritmo, resultando numa performance espetacular que deixou a maioria dos presentes a perguntar-se sobre o que é que lhes tinha acontecido neste segundo dia.

No rescaldo da destruição causada por Mullero, Mills e DVS1 dentro do castelo estás a pensar que as coisas não conseguem ficar mais agitadas, contudo estás a ir para o castelo com o pensamento de uma rave de 23 horas de duração que se aproxima. Com assinatura portuguesa, Amulador deu início à festa, In Aeternam Vale seguiu com uma atuação de loucos, ele que também fez parte da performance de Glasshouse dando som à atuação de A/V por Malo Lacroix e como a atuação de Traversable Wormhole foi cancelada, Becka Diamond teve de trazer o seu jogo ao castelo, isto marcou o início do controlo da Hospital Productions sobre o castelo, celebrando os seus 20 anos e mais de 500 lançamentos desde o apocalíptico ao sublime, numa celebração onde o som estava pronto para Phase Fatale, Vatican Shadow, Shifted, Ninos Du Brasil e Ron Morelli, não se consegue meter em palavras o que foi experienciado nessas performances. Depois deste assumir de controlo foi tempo de três das senhoras do techno virem de mãos dadas com o seu som característico, Dasha Rush, Adriana Lopez e Ellen Allien, que juntamente com Phase Fatale foram as nossas atuações favoritas do “dia”.

Na parte final desta jornada de 23 horas de techno, estava na altura do final feliz com as sonoridades mais energéticas de Michael Mayer com o conceito “&…”, topara tocar ao seu lado o patrão da Kompakt convidou Danny Daze e T. Raumschmiere, isto resultou num cenário único e nas condições perfeitas para acabar o que restava de festival dentro do castelo. Raumschmiere mais uma vez reinventou-se a si próprio à medida que o sol se punha e os sons alegres de Mayer à medida que a noite vinha uma última vez no topo da colina. Durante toda a duração do festival tornou-se obrigatório dar uma vista de olhos no Generative Garden por Jaygo Bloom e Malo Lacroix, um espaço incrivelmente tranquilizante juntamente com tendas de comida saciavam qualquer e todas as feridas da alma. Graças à Olga Studio, é indiscutível que o Festival Forte não é apenas um festival de música mas sim um festival de artes, assentando numa localização que dificilmente será superada. É um evento para ser vivido com todos os sentidos.

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